Escolha de Jogadores de Potencial

Num momento de interregno, devemos transformar cada momento de “saudade” como um momento de reflexão. No primeiro texto deste novo projeto trago-vos um tema com o qual a maioria dos treinadores de formação se debate diariamente e que nos projeta para aquilo que considero o elemento mais importante do futebol de formação: o jogador!

Numa era em que o recrutamento de jogadores está na “moda”, cabe-nos refletir sobre a escolha dos mesmos numa ótica de maximização dos clubes e em benefício do futebol Português!

Na minha experiência enquanto treinador, primei pela capacidade de escolher jogadores para um pequeno clube que em tempos foi um dos grandes “fornecedores” de jogadores para o Futebol Português. Experienciei a difícil tarefa de procurar em “seca e meca” jogadores que tornassem os plantéis do clube mais competitivos. O reflexo disso? Maioritariamente um reflexo coletivo. Um reflexo que beneficiou o clube em questão em termos competitivos, financeiros e sociais.

A escolha criteriosa de jogadores permitiu que o clube fosse colecionando estatuto, respeito, atenção e sucesso! Fatores estes que permitiram aglutinar condições financeiras essenciais para a sua sobrevivência como por exemplo: a receção de mais-valias desses jogadores quando atingem o estatuto profissional; patrocínios; mais jovens a procurar o clube; protocolos com clubes grandes.

Por esta altura, os leitores deverão pensar em expressões do género: “isso é tudo muito bonito, mas eu preciso de ganhar para poder subir de escalão e consequentemente ganhar mais dinheiro”. Dou-vos razão, mas também vos alerto para o facto de termos de ser NÓS a provar que a escolha de jogadores irá beneficiar o clube. Alterando mentalidades, assumindo o risco, encontrando uma fórmula que garanta sucesso imediato mas que previna o futuro do clube.

Nesta introdução que não foi mais que um alerta ao leitor que esta não é, apenas, a opinião, de um treinador SÓ de clube grande, onde aparentemente tudo é mais fácil porque a escolha é mais vasta!

É verdade que é mais vasta, mas não é verdade que seja mais fácil. Quanto mais vasta é a escolha e quanto maior é o investimento, maior é a responsabilidade, maior é o risco. Observar jogadores para o imediato é fácil. Qualquer “leigo” sabe observar um jogador e dizer “aquele puto é muito bom!”.

Como costumo dizer, há duas coisas em Portugal que qualquer pessoa (julga que) é: Treinador de Futebol (todos temos uma opinião) e Médico (sabemos todos que medicamento devemos tomar). O problema em ambas as profissões, e daí existirem especialistas, trata-se da prevenção. Permitam-me este paralelismo pois se em Medicina se fala em Medicar para prevenir, enquanto Treinadores também devemos treinar e escolher jogadores para o mesmo efeito “Médico”.

Na escolha de jogadores o processo mais complicado é o de prevenir. Prevenir o menor potencial, prevenir um investimento de curto prazo e prevenir que sejamos rotulados a escolhas que beneficiem apenas o próprio “ego” e não o clube.

Existem 4 características fundamentais para podemos prevenir e identificar potencial num jogador:

  1. técnica individual,
  2. velocidade,
  3. personalidade
  4. inteligência prática.

Ao longo dos textos que vos vou escrevendo neste projeto, vou lançar-vos vários desafios.

O primeiro desafio que vos lanço é testarem a vossa capacidade de numa escala de 0 a 5 avaliarem os vossos jogadores em cada uma destas características. Após essa avaliação lerem o próximo texto que lançarei e juntos refletirmos sobre o tema em questão. Não havendo, seguramente, verdades absolutas!

Sendo este um tema sensível, extenso de explicação e dando-vos tempo de reflexão, remeto para o próximo texto a minha opinião detalhada, técnica e cientifica acerca da avaliação destas 4 características fundamentais como elementos avaliadores de potencial de um jogador de futebol.

“Quem só de futebol sabe, nem de futebol sabe”

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